Num lugar que já não o é e onde sempre volto, as imagens que construo e aquilo que penso e vejo nos lugares por onde ando.

Agora

Desço finalmente. O café e a menina Isaura que acorda todos os dias às cinco e meia da manhã. Ela demora duas horas a chegar ao trabalho.
Parou de chover. Atravesso o jardim, agora mais alegre e arejado e inspiro profundamente. Pode ser que este sol se instale no meio de mim.
Passo pela companhia das sandes e faço o meu pedido. Os empregados parecem estar noutro lado, comportam-se como se eu não estivesse ali. Por todo o lado, é assim - gente que age dividida, ausente. Decido não dizer nada e escolho não voltar.
Caminho. Um pé à frente do outro, até à paragem do eléctrico. O velhinho melga que por lá costumava estar tem andado desaparecido. Será que adoeceu? Será que morreu?
Voltaram os turistas, principais actores no inferno que o 28, cada vez mais, é.
Subo a rua e entro no gabinete. É menos um dia. E digo a mim mesma que a vida é isto, a vida é só isto, cada segundo e cada minuto. A vida é agora. Mas eu não a sinto assim.

1 comentários:

mariagoestravelling disse...

A questão do tempo também me deixa a pensar muitas vezes.
Tenho uma consciência muito clara do meu passado e uma esperança mantida no futuro, não fosse eu uma eterna sonhadora, claro. No entanto, desde há uns tempos para cá, e desde que resolvi viver o agora, tenho vindo a desfrutar de forma mais completa o presente. Como se aceitássemos os outros momentos e dessemos tudo no agora.
Houve que escrevesse sobre isso:
"O poder do agora".

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