Num lugar que já não o é e onde sempre volto, as imagens que construo e aquilo que penso e vejo nos lugares por onde ando.

Erva daninha

Ao lado de qualquer pequena planta que se mostre capaz de vingar logo cresce a erva que é daninha e por isso não pode ser arrancada com a mão, à força bruta. É preciso soltar a terra com um ancinho e puxar devagar todas as suas raízes, retirando-a, de preferência inteira, para que morra como tem de morrer, secando. Uma operação que exige, paradoxalmente, muita atenção e cuidado.
A raiva que me dá a incompetência e sabotagem de alguns dá-me vontade de reagir como Jesus com os vendilhões do templo: gritando e ao pontapé. Como nem ele escapou ao rancor, essa emoção tão humana, é-me fácil aceitar o que sinto, mas opto estrategicamente pela extracção total desta erva danada. E por isso, aparentemente, me calo.

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